Mudanças no gerenciamento dos resíduos sólidos

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O Brasil tem passado por mudanças relacionadas ao gerenciamento dos resíduos sólidos nos últimos anos. Muito disso tem a ver com a Política Nacional de Resíduos Sólidos criada em 2010, que foca na redução do lixo e na responsabilidade compartilhada. Muitas dessas questões, principalmente questões relacionada a Belo Horizonte, foram discutidas em uma entrevista que que me deparei no canal de YouTube do engenheiro Hiram Sartori, que divulga em vídeos simples e didáticos a importância da conscientização sobre saneamento básico e meio ambiente.

Em uma entrevista concedida ao programa Ecologia e Cidadania, Sartori falou sobre sua trajetória acadêmica, sua motivação para estudar os resíduos sólidos, e alguns pontos importantes para a cidade. Sobre o PNRS o engenheiro destacou que, por mais atrasado estamos para cumprir as metas descritas do Plano, a simples existência de metas já é um avanço enorme. E muita coisa mudou de 2010 para cá. Um dos pontos importantes que faz parte da PNRS é a ideia da logística reversa.

A ideia da logística reversa é que o setor empresarial se responsabilize pelo ciclo de vida dos seus produtos, isto é, precisam dispor de meios para a coleta, reaproveitamento, reciclagem e destinação final adequado dos seus produtos. Isso é um grande passo para o Brasil, que passa, então, a ficar mais focado na diminuição, na valorização dos materiais, e na responsabilização por todo o ciclo do lixo.

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Hiram Sartori também falou sobre a situação da coleta seletiva em Belo Horizonte. Hoje apenas 14% da população faz coleta seletiva, número que foi conquistado por estratégias de envolvimento social de educação ambiental. O modelo adotado foi a separação do material em papel, plástico, vidros e metais. A entrega é voluntária e é feita em contêineres instalados em locais públicos em alguns bairros, os Locais de Entrega Voluntaria (LEVs).

No entanto a coleta seletiva atinge poucos bairros – apenas 30 são atendidos com a coleta seletiva porta a porta. A coleta seletiva ajudaria a resolver o problema do único aterro que atende a capital, que recebe cerca de 3,8 toneladas de lixo doméstico diariamente. Segundo Sartori, a coleta seletiva ajuda, mas ainda sim existem muitas outras medidas que merecem também atenção.

Uma das metas do PNRS é o fim dos lixões, por exemplo, cujo prazo era o ano de 2014, mas como sabemos, não se concretizou. Os dados apontam que pouco mais da metade do lixo gerado nas cidades brasileiras são encaminhados para aterros sanitários, e o resto é tratado inadequadamente em aterros controlados e lixões. O problema é ainda mais fundo: 6 em cada 10 municípios ainda nem elaboraram planos de gestão dos resíduos sólidos.

O Brasil está dando passos importantes para o saneamento básico, e mesmo com os atrasos e problemas para manter as metas do Plano, Sartori é otimista quanto a situação. O engenheiro estuda o assunto desde os anos 80 e afirma que a situação era bem mais grave e considera que Belo Horizonte e o Brasil estão no caminho certo.